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(Música: El Capitan) JUCA CHÁ PRETO (Texto de
Aci Heli Coutinho de02/11/1992)
José Geraldo dos
Santos, o Juca Chá Preto, patrono da Lira, nasceu em 5-12-1914 e faleceu
em 8-12-1997. Órfão de mãe muito cedo, foi morar com o tio, Zé Cota. |
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Aos onze anos
foi levado por seu pai, Miguel Martins dos Santos, para Belo
Horizonte, onde foi jornaleiro, servente de pedreiro, sapateiro,
motorista profissional, agente de saúde “mata-mosquitos” no
combate à febre amarela e ex-combatente pela Polícia Militar de
Minas Gerais na
revolução de 1932. Foi comerciante em Belo Vale e, depois, Chefe
do Serviço de Fazenda da Prefeitura de Moeda.
Em 1938 estudou música, passando por muitas bandas. Tocou
bombardino, trombone, baixo tuba, barítono, trompete, saxofone e
clarinete, conforme ia sendo necessário. Seu instrumento
predileto era sua clarineta (chamada Adelaide). Tocou em várias
Folias de Reis, tocou no conjunto Regional Marinho da Serra, com
os músicos Iraci, Peneira, Nelson e Antônio Traíra. Tocou também
no conjunto Regional do Coqueiro de Espinho, integrado pelos
músicos Roque do Zé Anastácio, Zé Pedra, Juca Peixoto, Geraldino
e o versátil Luiz Simões, vulgo "Tôco", que imitava Bob Nelson e
fazia malabarismos com a voz, afoxé, pandeiro e violão. Ensinou
música também para seu amigo Benedito Canuto, que, apesar de analfabeto,
se tornou um
excepcional bombardinista. |
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O maestro Juca Chá
Preto foi mestre de muitos músicos e maestro de muitas bandas, tais como
Banda Santa Efigênia do Coqueiro de Espinho, Banda do Distrito de Coco,
Banda de São José do Paraopeba, Blue Star Orquestra – todas extintas;
Banda de Belo Vale e Banda Senhor Bom Jesus de Porto Alegre – essas em
atividade. Participou também do Festival de Bandas de Música, promovido
pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, a convite da
Banda de Música de Ibirité, tendo sido agraciado
juntamente com os demais músicos, com o troféu de melhor Banda
Civil daquele encontro.
Vez por
outra, comparecia à TV Itacolomi (atual Teatro Alterosa) em Belo
Horizonte, para assistir ao programa Brasa 4, comandado por
Dirceu Pereira, para assistir à apresentação do Conjunto “Os
Agitadores”, no qual tocavam: Jurandir (sax), Quinzinho
(tenor) seu ex aluno, Joel (trompete) idem, e o Oliveira (teclado).
Juca Chá Preto viveu para a música,
ensinando, regendo e tocando a sua clarineta, com a qual fazia
“visagens” sonoras. |
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Fez-se instrumento para alegria dos outros e
sua, na melodia que tirava do seu clarinete, harmonizando a arte
dos sons, ao sabor do ritmo que a vida lhe impôs. Por viver
dependente, sempre teve donos: em Santana era chamado Juca da Edwirges (sua mãe); em Belo Horizonte, Juca da Lilia; no Coco,
Juca do Zé Cota; em Belo Vale, Juca do Miguel; nos Antunes, Juca
da Geralda; em Moeda Velha, Juca da Clarineta; em Moeda, Juca da
Prefeitura; e, no geral, Juca Chá Preto”.
Esse último apelido surgiu quando ele era rapaz. Por ser
inteligente, músico e muito boa pinta, acontecia que, quando
chegava a uma casa ou fazenda e houvesse alguma moça doente e acamada,
esta, ao ficar sabendo que o Juca havia chegado, ficava logo boa.
Levantava-se e se produzia para vê-lo. Juca era um santo
remédio. Esse fato se repetiu algumas vezes e, sendo ele moreno, ganhou logo o
apelido que o marcou por toda a vida: Juca Chá Preto.
A bênção velho mestre! |
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